O QUE TER FÉ?
A FÉ QUE FOI DADA AOS
SANTOS!!…
Judas 1:3,4
Amados, procurando eu escrever-vos com
toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos,
e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos.
Porque se
introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo,
homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus,
único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo.
...senti a necessidade de vos escrever,
exortando-vos a pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos
santos” (Jd
3).
Uma das palavras mais freqüentes na Bíblia é
“fé”. Conceito chave, esta palavra descreve um ato que passa pela inteligência
e pela vontade.
Não se constrói uma casa começando pelo telhado! É
preciso começar pela base.
Certo dia assistindo um programa de construção de
casas observei que o construtor propôs construir começando pelo telhado. Mas
Evidentemente ele teve que instalar primeiro os pilares e os mesmos sobre uma
base sólida e segura. Fez então uma sapata com concreto bem projetado e calculando
o peso que teria que suportar, levantou os pilares de toras de madeira sobre a
base de concreto e então montou o telhado para posteriormente levantar as
paredes laterais e centrais.
A fé é o firme fundamento das coisas que se
esperam....
Na Bíblia, fé significa confiança absoluta em tudo
que Deus tem revelado; a confiança que possuímos no testemunho que Deus
manifesta acerca de Si mesmo. Às vezes, esta palavra aparece para descrever o
exercício da fé por parte do homem espiritual, a crença ativa, a dependência de
Deus. Outras vezes, para descrever o objeto da
fé, aquilo em que alguém crê, o sistema de princípios religiosos (como é o caso
do cristianismo), o anúncio doutrinário na forma de um credo.
“Vigiai,
estai firmes na fé, portai-vos varonilmente e fortalecei-vos…” (1
Co 16.13 – ARC).
“Se,
na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé e não vos moverdes da
esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura
que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro” (Cl
1.23 – ARC).
“Amados,
procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive
por necessidade escrever-vos e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi
dada aos santos” (Jd 3 – ARC).
“E
crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos
discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé” (At
6.7).
Há
algumas perguntas que nos ajudam a avaliar nossa fé. Neste editorial propomos
três perguntas através das quais podemos fazer uma radiografia dela. São
perguntas importantes e reveladoras.
Em
Que Você Crê?
O
conteúdo da nossa fé é fundamental. Aquilo em que você crê constitui aquilo que
você é. E só a verdade é digna de ser crida. Alguém já disse que “a piedade é
filha da verdade, e precisa ser alimentada… não com outro leite que não seja o
de sua mãe”. John Owen afirmou que “somente a verdade capacita a alma a dar
glória a Deus”. Hoje em dia ouvimos expressões tais como: “Não importa o que
você crê, conquanto seja sincero”; “Todos os caminhos levam a Deus”, etc. Ao
que nos parece, esta será a religião do século 21. Isto, contudo, é uma grande
falácia. Aquilo que você crê constitui o alicerce da sua vida. Aquele que crê
mal não pode viver bem, pois não tem alicerces.
Aquilo que você crê constitui aquilo que você é.
O
bispo de Hipona escreveu: “Se você crê somente no que gosta do evangelho e
rejeita o que não gosta, não é no evangelho que você crê, mas em si mesmo”. E o
reformador Lutero adverte-nos: “qualquer ensinamento que não se enquadre nas
Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias”.
No fim, a verdade triunfará. A verdade é sempre forte, não importa quão fraca
pareça; e a falsidade é sempre fraca, não importa quão forte pareça.
Por nós Jesus orou. Ele pediu ao Pai: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”
(Jo 17.17).
Como
Você Crê?
A forma e
a intensidade da fé têm grande importância. A fé é
algo que se desenvolve mediante o uso. Ela precisa ser desenvolvida. Assim, a
fé pode aumentar e ser fortalecida. Há níveis variados de fé, pois há níveis
variados de desenvolvimento da alma. Por isso, fazem sentido expressões
bíblicas tais como: “Homens de pouca fé”; “Geração incrédula”; “Fé do tamanho
de um grão de mostarda”; “Mulher,
grande é a tua fé”; “Nem mesmo em
Israel encontrei tamanha fé”. Dos pedidos que os discípulos fizeram
ao Mestre Jesus Cristo, dois se destacam. O primeiro é “ensina-nos a
orar”; e o segundo, “aumenta-nos a
fé”.
Esta questão da forma e da intensidade da fé pode
ser percebida de maneira bem nítida nas palavras de Jesus dirigidas a Tomé, no
segundo domingo após a ressurreição. Como sabemos, Tomé esteve ausente na
reunião do primeiro domingo (o que já constitui um ponto negativo) e não creu
na notícia de que Jesus havia ressuscitado dentre os mortos. Após haver
contemplado o Senhor, colocado o dedo nas feridas dos cravos em suas mãos e
apalpado as chagas do seu lado, Tomé creu. E disse-lhe Jesus: “Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram”
(Jo 20.29).
De
fato, a fé bíblica é a confiança que temos no testemunho que Deus manifesta
acerca de Si mesmo. Ao crente basta a Palavra de Deus. Deus falou a Abraão, e
este creu. Lamentavelmente, vivemos um tempo em que a geração incrédula e
adúltera pede e busca sinais a fim de crer. O que não for por fé é pecado. Se cremos
no que vemos não é por fé!
A fé vem pelo ouvir, ouvir da palavra de Deus!
O
conhecimento da verdade deve nos levar à convicção da verdade. Jesus lançou a
seguinte pergunta ao povo, acerca de João Batista: “Que fostes
ver no deserto? Uma cana agitado pelo vento? … Mas, então que fostes ver? Um profeta? Sim, vos digo eu, e muito mais do que profeta” (Mt
11.7-9 – ARC). É terrível quando ouvimos a respeito de alguém: “Ele nunca tem
opinião própria; costuma adotar a que estiver em voga”. Eis aí um caniço
agitado pelo vento. O profeta do Senhor não é aquele que se orienta pelo
catavento da opinião pública, mas pela bússola da convicção bíblica. O nosso
mundo é rico em ilusões, e, por vezes, nos deixamos iludir por ele.
Precisamos
viver o que acreditamos e acreditar no que pregamos!
Nos tempos da bastilha francesa, Mirabeu falou de
Robespiere, quando este fazia um discurso: “Este homem vai longe; ele acredita
naquilo que diz!”
O
Que Você Faz Com O Que Você Crê?
O
que fazemos com a fé é muito importante. Se algo é digno de ser crido, é digno
de ser vivido. De fato, a fé bíblica implica em obediência.
A fé bíblica traduz-se em discipulado. Não crê
aquele que não vive consoante à sua crença. “Assim, também
a fé, se não tiver obras, por si só está morta” (Tg 2.17). Um
pressuposto da pregação da Palavra de Deus é que o propósito subjacente a toda
doutrina é garantir a ação moral. Aprendemos por simples verificação semântica
que teologia é conhecimento de Deus. Sua teologia consiste naquilo que você é
quando suas ações condizem com o que você diz . Deus quando nos instrui a
mente, Ele o faz para transformar a vida. Aliás, este é o alvo do ensino, e a
lei do processo de aprendizagem estabelece que o aluno deve reproduzir, em si
próprio, a verdade aprendida. E vivendo a verdade, nossas próprias vidas se
tornam verdadeiras. Nós nos tornamos o que devemos ser.
Uma
fé digna de ser crida e quando é vivida na prática,é digna de ser proclamada. A
verdade precisa ser proclamada, não importa como seja recebida. E deve ser
proclamada, antes de tudo, porque é a Verdade de Deus. O bem que se faz aos
homens é passageiro; as verdades que lhes deixamos são eternas.
Uma fé digna de ser crida é também digna de que
batalhemos por ela.
“Sê fiel até à morte.” Não foi este o lema dos mártires
desde Estêvão? Consta que foi martirizado e morto
pelo rei de Milapura, na cidade indiana de Madras, onde fica o "Monte São Tomé" e a
"Catedral de São Tomé",
supostamente o local de seu sepultamento. Historiadores acreditam que o
apóstolo foi morto à flechadas, por hindus, enquanto orava.
“Senti a necessidade de vos escrever, exortando-vos a pelejar pela
fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos” (Jd 3).
A
ministração do evangelho deve ser na letra e na prática! Mostrar aos outros com
nossos atos a fé que nós proclamamos. Subir ao púlpito e pronunciar a fé que
está descrita é relativamente fácil, mas o que nos importa é VIVER A FÉ QUE
ANUNCIAMOS!
“Não é coisa pequena ficar em pé diante de uma
congregação e dirigir uma mensagem de salvação ou condenação, como sendo do
Deus vivo, no nome do nosso Redentor. Não é coisa fácil falar tão claro, que um
ignorante nos possa entender; e tão seriamente que os corações mais
desfalecidos nos possam sentir; e tão convincentemente que críticos
contraditórios possam ser silenciados.” Richard
Baxter